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Domínios Morfoclimáticos do Brasil

O geógrafo Aziz Ab’Sáber criou um modelo de classificação da paisagem natural do Brasil, baseada em domínios. Estes domínios são classificados de acordo com semelhanças de relevo, clima, vegetação, solo e hidrografia de uma determinada região. É considerado um modelo completo, pois leva em consideração vários elementos geográficos, compondo o quadro natural de uma região.

Os domínios Morfoclimáticos do Brasil e suas características:

Domínio Amazônico

Localização: estados do Amazonas, Pará, Acre e áreas do norte dos estados de Rondônia e Mato Grosso, além da região oeste do Maranhão.

Características principais: floresta equatorial; clima úmido e quente; presença da planície amazônica, além de planaltos e depressões nas áreas de borda; presença da Bacia Amazônica com grande quantidade de rios e elevado volume de água.

Domínio do Cerrado

Localização: região central do Brasil. Estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso (área central), Mato Grosso do Sul (áreas central e nordeste). Minas Gerais (faixa centro-oeste), Maranhão (sul) e Rondônia (faixa centro-sudeste).

Características principais: clima tropical; vegetação de cerrado; solos pouco férteis em grande parte do domínio; presença de depressões e planaltos. A Chapada dos Guimarães é um dos destaques do relevo deste domínio.

Domínio Roraima-Guianense

Localização: toda área central do estado de Roraima.

Características principais: clima equatorial semiúmido; vegetação de campos e cerrados; presença de depressões e planaltos; dependendo da área, a fertilidade do solo varia de baixa para alta.

Domínio da Caatinga

Localização: área central da região Nordeste. Quase todo território do Ceará (exceto faixa litorânea); regiões centro-oeste dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe; grade parte da região centro-oeste da Bahia; sudeste do Piauí.

Características principais: clima semiárido; vegetação típica da caatinga, presença de depressões, solos secos e de baixa profundidade.

Domínio das Araucárias

Localização: região sul do Brasil. Presente nas áreas centrais dos estados do Paraná Santa Catarina, além da área norte do Rio Grande do Sul.

Características principais: clima subtropical; vegetação subtropical (Mata de Araucária); presença de rios perenes.

Domínio das Pradarias

Localização: presente na área meridional do estado do Rio Grande do Sul.

Características principais: clima subtropical; vegetação composta basicamente por gramíneas e herbáceas; relevo de planalto com presença de leves ondulações.

Domínio de Mares de Morros

Localização: quase todo território do estado de São Paulo (exceto áreas ao norte e sul); noroeste e faixa litorânea do Paraná; áreas litorâneas dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul; faixa leste de Minas Gerais, todo território do Rio de Janeiro e Espírito Santo; faixa litorânea da região Nordeste.

Características principais: clima úmido, relevo com presença de serras (exemplos: Serra do Mar, Mantiqueira e Espinhaço); solo que sofre com a erosão provocada pelo alto índice pluviométrico (chuvas); grande parte deste domínio está ocupada por vegetação da Mata Atlântica.




Fonte

Sua Pesquisa.com

Pontos Culminantes do Brasil/Relevo do Brasil





Pico
Serra
Altitude (m)
da Neblina
Imeri (Amazonas)
3.014
31 de Março
Imeri (Amazonas)
2.992
da Bandeira
do Caparaó (Espírito Santo/Minas Gerais)
2.890
Roraima
Pacaraima (Roraima)
2.875
Cruzeiro
do Caparaó (Espírito Santo)
2.861


O relevo do Brasil tem formação muito antiga e resulta principalmente de atividades internas do planeta Terra e de vários ciclos climáticos. A erosão, por exemplo, foi provocada pela mudança constante de climas úmido, quente, semi-árido e árido. Outros fenômenos da natureza (ventos e chuvas) também contribuíram no processo de erosão.

O relevo brasileiro apresenta-se em : 
Planaltos –  superfícies com elevação e aplainadas , marcadas por escarpas onde o processo de desgaste é superior ao de acúmulo de sedimentos.
Planícies –  superfícies relativamente planas , onde o processo de deposição de sedimentos é superior ao de desgaste.
Depressão Absoluta - região que fica abaixo do nível do mar. 
Depressão Relativa
 – fica acima do nível do mar . A periférica paulista, por exemplo, é uma depressão relativa.
Montanhas –  elevações naturais do relevo, podendo ter várias origens , como falhas ou dobras.

Fonte:

SuaPesquisa

Montanhas




Depressões





Planícies




Planalto




Formas de Relevo


 

Planaltos

Os planaltos, também chamados de platôs, são áreas de altitudes variadas e limitadas, em um de seus lados, por superfície rebaixada. Os planaltos são originários das erosões provocadas por água ou vento. Os cumes dos planaltos são ligeiramente nivelados.
Exemplo: Planalto Central no Brasil, localizado em território dos estados de Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Planícies

É uma área geográfica caracterizada por superfície relativamente plana (pouca ou nenhuma variação de altitude). São encontradas, na maioria das vezes, em regiões de baixas altitudes. As planícies são formadas por rochas sedimentares. Nestas áreas, ocorre o acúmulo de sedimentos.
Exemplos: Planície Litorânea, Planície Amazônica e Planície do Pantanal.

Depressões

As depressões são regiões geográficas mais baixas do que as áreas em sua volta. Quando esta região situa-se numa altitude abaixo do nível do mar, ela é chamada de depressão absoluta. Quando são apenas mais baixas do que as áreas ao redor, são chamadas de depressões relativas. As crateras de vulcões desativados são consideradas depressões. É comum a formação de lagos nas depressões.
Exemplo: Depressão Sul Amazônica

Montanhas

As montanhas são formações geográficas originadas do choque (encontro) entre placas tectônicas. Quando ocorre este choque na crosta terrestre, o solo das regiões que sofrem o impacto acabam se elevando na superfície, formando assim as montanhas. Estas são conhecidas como montanhas de dobramentos. Grande parte deste tipo de montanhas formaram-se na era geológica do Terciário. Existem também, embora menos comum, as montanhas formadas por vulcões.

As altitudes das montanhas são superiores as das regiões vizinhas. Quando ocorre um conjunto de montanhas, chamamos de cordilheira.
Exemplos: Aconcágua (Argentina), Pico da Neblina (Brasil), Logan (Canadá), Kilimanjaro (Tanzânia), Monte Everest (Nepal, China), Monte K2 (Paquistão, China), Monte Blanco (França, Itália).

Fonte:

Sua Pesquisa

Participação das depressões periféricas e superfícies aplainadas na compartimentação do planalto brasileiro - considerações finais e conclusões



Aos poucos, vai se evidenciando que, para o estudo paleogeográfico dos diversos lapsos de tempo geológico que respondem pela gênese e evolução das terras brasileiras, toma-se imprescindível a aplicação de métodos específicos de trabalho, utilizados segundo um rumo e uma combinação de técnicas inteiramente distintas para cada um dos casos que se tenha em vista. Pode-se afirmar que, para a seqüência pré-devoniana, o campo de estudos pertence inteiramente aos petrólogos, geoquímicos, estratígrafos especializados em tectônica plástica de orogenias antigas, assim como a especialistas de laboratórios de cronogeologia. No que conceme às grandes seqüências e pacotes de sedimentos empilhados nas diversas bacias intracratônicas brasileiras, têm a palavra os estratígrafos, os paleontólogos e os sedimentologistas, especializados em estudos de microestruturas e paleoecologia. Mesmo porque seria impossível realizar qualquer coisa de mais positivo - geologicamente falando sem a utilização combinada de tais ciências da Terra, da Água e da Vida, no que diz respeito à abordagem dos depósitos sedimentares que se formaram do Devoniano até o Cretáceo nas diferente bacias paleomesozóicas brasileiras. Por último, no que tange precipuamente aos diferentes domínios de sedimentos pós-cretácicos, par a par com todos esses métodos clássicos de trabalho geológico, há que acrescentar a contribuição dos geomorfologistas e pedólogos, assim como a dos sedimentologistas dotados de uma sensibilidade especial por assuntos paleoclimáticos. Estamos certos de que qualquer ortodoxia, nesse último setor de estudos - pelo menos no que diz respeito ao caso brasileiro e aos de muitos outros territórios gondwânicos -, seria extremamente negativa para obtenção de resultados científicos de mais alcance, assim como, sobretudo, para a feitura de uma verdadeira Paleogeografia integrada e sem fronteiras.
Queremos crer que, no plano internacional, até o presente momento da história das ciências da Terra, tenha sido para com o estudo do Quaternário que os critérios rnorfológicos foram ensaiados com resultados mais concretos e até certo ponto de vista inesperados. Estamos cientes, por outro lado, de que, pelo menos em relação ao caso do território brasileiro, teremos que forçar a extensão de tais métodos para os períodos pré-quaternários; procedimento esse que certamente comportará uma margem de erros incomparavelmente maior, como, aliás, sempre acontece cada vez que nos ocupamos com lapsos de tempo geologicamente mais antigos. Evidentemente, o presente estudo persegue tais objetivos, podendo ser considerado uma tentativa de aplicação de métodos cronogeomorfológicos ao estudo da compartimentação interior do Planalto Brasileiro, área territorial que possui uma escala e uma ordem de grandeza de amplitude subcontinental. Estuda-se, de preferência, por essa razão mesma, a macrocompartimentação topográfica dessa grande área de escudos, núcleos-de-escudo e bacias intracratônicas. Estamos absolutamente cientes de que o tratamento analítico de conjunto de formas residuais e de depósitos correlativos, de ordem de antigüidade relativamente grande, pode acarretar enganos muito mais graves, e conduzir a anacronismos geológicos, que somente o futuro desenvolvimento das pesquisas e a descoberta de novos métodos e técnicas de trabalho poderão corrigir.
No fundo tais extensões metodológicas à seqüência de eventos cenozóicos do Planalto Brasileiro visa corrigir um pouco as deficiências de estudos intercientíficos que têm sufocado o desenvolvimento de alguns setores das ciências da Terra, entre nós. Sobretudo gostaríamos de despertar a atenção dos jovens geólogos e geógrafos brasileiros para a grande necessidade que temos de uma melhor integração de informações interdisciplinares, e para os resultados de exceção que podem ser obtidos, através de uma conjugação aberta e sistemática de diferentes métodos e técnicas de pesquisa. De nossa parte, sabemos que dentro de alguns anos os resultados sintéticos incluídos no presente ensaio terão uma validade muito relativa. Acreditamos, entretanto, na possibilidade de aplicação dos procedimentos aqui preconizados, com relação a compartimentos bem individualizados, situados no interior de uma província geológica qualquer, ou colocados em largos desvãos de províncias bem diferentes, ou, ainda, apenas relacionados com os limites meramente artificiais de uma quadrícula de trabalhos de campo. Com relação a esse último caso, sobretudo, a experiência nos demonstrou que são muito maiores os perigos de redução e de erros na síntese paleogeográfica, por parte dos que não possuem idéias mais gerais sobre a macrocompartimentação territorial. Nesse sentido, aliás, geólogos ortodoxos ou principiantes em Geologia e Geomorfologia podem incidir nos mesmos tipos de erros.
Insistimos no fato de que, ainda que houvesse informações paleontológicas suficientemente ricas para a datação de todas, ou, pelo menos, da maior parte das formações cenozóicas brasileiras, mesmo assim seria necessário intercalar os conhecimentos paleoclimáticos e paleomorfológicos acumulados, para se fazer uma verdadeira Paleogeografia. Isto porque, em Cronogeologia global, tão importante quanto a datação das camadas é o estabelecimento da sucessão dos eventos erosivos e deposicionais, que respondem mais diretamente pelos quadros regionais, passíveis de estudos de campo. E quer nos parecer que, para com um bloco de planaltos, tão ricamente compartimentado, como é o caso do chamado Planalto Brasileiro, existem oportunidades únicas para a aplicação dos métodos aqui utilizados. Dir-se-ia que as interferências tectônicas locais poderiam destruir todos os esquemas regionais normais, invalidando a aplicação dos princípios fisioestratigráficos aqui adotados. É um risco que devemos correr, assim como uma preocupação permanente que devemos ter, para eliminar, tanto quanto possível, o perigo derivado de situações tectônicas anômalas. Note-se, entretanto, que a paleotectônica complica sempre as interpretações regionais, qualquer que seja a área considerada e os métodos analíticos em utilização.
Existem sérios precedentes bibliográficos na discussão da integração dos dados geomorfológicos na síntese da história geológica ou da Paleogeografia de uma província geológicoestrutural qualquer.
O geólogo alemão Karl WALTHER (1924) - que ocupou na geologia do Uruguai um pouco da posição que um Derby ou um Branner têm na Geologia Brasileira - teceu severos reparos críticos às idéias de Davis, conseguindo atingir a discussão do problema da viabilidade ou não do aproveitamento paleogeográfico dos conceitos genéricos sobre os chamados peneplanos. Pelo que se depreende da leitura de incisivos rodapés que enriquecem a monografia de Walther, intitulada Estudios geommfologicos y geologicos - Bases de la Geografia física del país, o autor impugnava, de antemão, e baseado em sérios argumentos científicos, qualquer tentativa simplista de integração das idéias cíclicas de Davis, como pressupostos de parcelas da história geológica de um determinado território. Desta forma, em livro escrito e publicado em Montevidéu, no ano de 1924, o geólogo Karl Walther, baseado em seus conhecimentos de geologia regional e na sua grande experiência em pesquisas de campo, percebeu intuitivamente o quanto de inadmissível existia no esquema do ciclo vital dos relevos, quando antevisto sob o prisma de conjunto habitual de episódios paleogeográficos. Daí ter impugnado a aceitação tácita dos estágiosteóricos de Davis como fatos integráveis nas reconstruções paleogeográficas de uma determinada região. E, hoje, somos obrigados a fazer justiça plena ao oportuno e incisivo senso crítico de Walther, mesmo porque seus escritos passaram inteiramente despercebidos no campo da crítica internacional, permanecendo à margem da bibliografia das obras de revisão ou de crítica à teoria de Davis.
Trinta anos passados, entretanto, podemos afiançar que, se é que Karl Walther tinha boas razões em relação à crítica das concepções davisianas, em absoluto tal fato pode significar uma impotência da Geomorfologia em face das reconstruções paleogeográficas. O próprio Albrecht PENCK (1928), o maior dos críticos clássicos da teoria dopene plano não hesitou em afirmar que a Geomorfologia tinha foros de capítulo final da Geologia Histórica (citação de MAACK in Os propósitos da Geografia Moderna ..., 1956, p. 178, Curitiba).
Nos últimos vinte e cinco anos, os estudos geomorfológicos de caráter regional, levados a efeito na Europa Ocidental, conseguiram superar, implicitamente, a validade de tais discussões iniciais, pois a maioria deles incluiu como tarefa habitual a integração dos dados geomorfológicos em face dos conhecimentos fundamentais de ordem geológico-regional. Assim, através do exemplo sério e incontestável do estudo de Geomorfologia Regional, foi possível integrar fatos de história geológica com fatos da história fisiográfica ou geomorfológica, numa ampliação efetiva das dimensões da verdadeira Paleogeografia.
Muito embora estejamos bem alertados sobre as dificuldades inerentes às sínteses da história geomorfológica de um território de escala subcontinental como é o Planalto Brasileiro, em caráter provisório, teríamos os diferentes episódios paleogeográficos desenrolados do Cretáceo até o Quaternário, dentro do seguinte esquema, o qual é apenas uma primeira revisão da mirrada síntese por nós intentada há mais de 15 anos (AB'SÁBER, 1949, 1951).